» Solo em Questão
Idealização e Concepção: Ana Teixeira
Criado para o Balé da Cidade de São Paulo em 2004
O projeto Solo em Questão reforça o trabalho com um elenco formado por bailarinos solistas de natureza peculiar, abrindo-se espaço para atividades de investigação de excelência, um privilégio para todos os artistas envolvidos nestes processos, um privilégio para a dança de São Paulo.
Esta fase da Cia. 2 implica em novo desafio para aqueles que a compõem, propondo-se uma maior liberdade de atuação, privilegiando-se o talento de cada um, através da flexibilização de papéis, oportunizando-se trocas e construções junto a outros artistas da cena contemporânea.
Os sete solos, apresentados neste programa, se revelarão como produtos de uma nova etapa da Cia. 2, revelando dimensões para o seu futuro.
A partir da básica questão da abertura e instauração de espaços para profissionais mais maduros da dança deste país, ponto crucial da arte coreográfica em si, a experiência histórica da Cia. 2 aponta para outros formatos de trabalho em dança, pela fronteirização de linguagens e trajetórias artísticas.
Através desta potencialidade histórica e contemporaneamente aberta dentro de um local público, poderão ser afirmados os seus mais amplos objetivos, para além de uma demarcação simplista do tempo e espaço da trajetória de cada artista, projetando-se sua inserção no tempo mais amplo da arte de nossos dias.
CORTEJO
“... todos os dias me alembro de pequenas coisas trazidas pela água, pelo cheiro, pelo movimento, e mais sempre mais alguma coisa que faz com que eu corteje meu caminhar.cheio e vazio de histórias de mim. Raimundo então vai dançar seu rosário, de tudo um pouco. Inventar, existir, talvez por aí, cortejar..."
Concepção, direção e texto: Dudude Herrmann
Coreografia: Dudude Herrmann, Raymundo Costa
Intérprete: Raymundo Costa
Música: Paulo Freire
Tambor: Maurício Tizumba
Voz: Daniel Antonio
Instalação cênica: Dudude Herrmann e Raymundo Costa
Desenho de luz: André Boll
Fotos: Raymundo Costa
Duração: 20 min
AÇÕES
A partir do livro “As ondas”, de Virginia Woolf , demos ao trabalho o nome “AÇÕES” pois nelas reconhecemos os movimentos dançantes e seus processos transformadores. Não mera reprodução do cotidiano mas recortes que instigam e fascinam pela poesia transformada em arte. Juntos buscamos construir e desconstruir nossas vontades, desejos e aspirações. A estrutura é simplesmente a armação que nos protege. Não percebemos que a possibilidade de sua transformação só depende da consciência e para transformá-la é necessário uma nova ação. Os meios e ou os instrumentos sempre estiveram ali, só depende de nós para a sua total transformação. A espera romântica do outro – que nunca virá, lembre-se de Godot de Beckett – só atrapalha nossas decisões.
A interferência e transformação nascem de sua ação nova. O diacronismo entre vontade e realização, tempo e espaço social proporcionam uma outra dramaturgia do movimento humano pleno, pela celebração de suas contradições.
Direção, concepção e encenação: Marcio Aurelio
Criador / Intérprete: Maurício Martins
Figurino: Marcio Aurelio e Maurício Martins
Desenho de Luz e cenografia: Marcio Aurelio
Montagem e edição de vídeo: Osmar Zampieri
Música: Uri Cane
Duração: 50 min
Ponto final da última cena
É um trabalho artístico que usa os elementos da dança e do teatro para se alimentar de questões que envolvem o Mal de Alzheimer.
E neste caminho proposto uma porta é aberta e o que se apresenta é o encerramento do indivíduo em si mesmo tentando remediar conflitos da sua própria existência.
Indivíduo com apenas dois instrumentos: o corpo (espectro) e uma lembrança falível e agonizante, para confrontar o homem e a morte.
Morte que se apresenta como agente de solidão, de angústia e também de um bem estar, porque não? Quando é chegada a hora, ao homem não é permitido nada, nem as escoras familiares, nem as profissionais. Pai, filho, rei e déspota. Não importa; todos apenas com um corpo para não resistir ao infalível ceifar.
Dependência também é um fim, no qual o trajeto dela é calculado e indicado pelas mãos, pelos pés, pelo erótico, pela morbidez. Corpo do outro procura com suas sincronias possibilidade de morte na padronização, no falso individualismo.
O “Ponto final da última cena” é, sobretudo, uma morte pulsante e desejada no intimo por paradoxal que isso possa soar.
Doa a quem doer.
e dói... (Sandro Borelli)
Direção, coreografia e luz: Sandro Borelli
Intérprete: Mara Mesquita
Participação especial: Roberto Alencar
Assistente de coreografia: Roberto Alencar
Figurino: Mara Mesquita e Roberto Alencar
Música: Sérgio Zurawski, Aleh Ferreira, Julio Cerezo Ortiz
Trilha sonora: Marcelo Pires
Agradecimento especial a Helena Martins
Duração: 20 min
“Do lado de lá”
A peça apresenta diversas situações que surgem da interação entre um personagem e uma porta.
A porta é uma das simbologias mais ricas de nosso inconsciente, de lugar de transformação a símbolo do limiar. A porta é a transformadora, altera o antes e o depois, é um divisor de estados.
Que segredo guarda aquela porta? Como se entra? Onde vai dar?
Através de uma série de cenas, relações vão sendo exploradas: a porta como saída do mundo atônito da metrópole, a porta como a passagem para um lugar melhor, a porta como um obstáculo à curiosidade alheia, a porta que nunca se alcança, a porta que sempre acolhe, enfim a libertação.
Concepção, coreografia: Luiz Fernando Bongiovanni
Intérprete: Andréa Maia
Cenografia: Studio Ilex e Luiz Fernando Bongiovanni
Figurino: Geraldo Lima
Trilha sonora: Pedro Detolvo
Desenho de luz: Luiz Fernando Bongiovanni
Duração: 20min
"Um outro corpo"
"As veias correm pelo meu corpo,
pelas minhas pernas, pela minha boca."
A força dos cataclismos de que somos vítimas como sujeitos de uma sociedade inquieta, violenta e depressiva, dirigiu nosso olhar para o mundo interno dos gestos e movimentos que trazem consigo uma carga expressiva capaz de acordar no corpo memórias de um outro corpo, talvez mais sensível e desperto para a realidade simbólica do mundo interior.
Ao investigar questões relacionadas com o amor e a morte, o espetáculo se propõe a criação de uma dança onde os elementos que compõem a cena se entrelacem para atingir nossa sensibilidade.
"Um outro corpo" nasce a partir das imagens corporais, carregadas de memória e repletas de sons e silêncio, da intérprete-criadora, Cláudia Palma.
Concepção geral e direção: Mariana Muniz
Criadora-Intérprete: Cláudia Palma
Cenografia: Cláudia Palma e Mariana Muniz
Figurino: Cláudia Palma
Desenho de luz: André Boll
Concepção da trilha sonora: Cláudia Palma e Mariana Muniz
Gravação da trilha sonora: Fábio Toscano
Agradecimentos: Cláudia Palma dedica este trabalho à Anne
Mariana Muniz agradece Maria Lúcia Lee e Cláudio Gimenez
Duração: 20 min
“O homem de pé por curiosidade”
“Eu quero uma licença de dormir,
Perdão para descansar horas a fio,
Sem ao menos sonhar,
A leve palha de um pequeno sonho,
Quero o que antes da vida foi o profundo sono das espécies,
A graça de um estado.”
1935, Adélia Prado (autora de Exausto do livro Poesia Reunida)
Direção e concepção: Ana Teixeira
Criador-Intérprete: Osmar Zampieri
Trilha sonora: Osmar Zampieri
Figurino: Ana Teixeira e Osmar Zampieri
Música: Premiere Reponsé –Seniores Populi-Office du Mercredi Saint Marc-Antoine Charpentier, Gavin Brayrs
Captação e edição de imagens e sons: Osmar Zampieri
Desenho de luz: Marcio Aurelio
Duração: 20min
“Um Campo em preto e branco”
Como ponto de partida os “estados” de escuta e o silêncio. Mergulho nos pensamentos. Eu e meu meio. Sensações transportadas no corpo. Um jogo entre torso e braços. Imagens, interioridade, instinto. Uma busca essencial de interação dos sentidos. Nada se revela, cria-se relações visuais. Projeções do inconsciente. Meus próprios fragmentos. Meu corpo essencial, introspectivo, despojado. Meus estímulos internos, reflexão íntima, individualizada. Imagens do subconsciente. Descobrimento. Um momento, uma sensação. Infindável busca. Exploro fronteiras. Estados da alma. Que lugar ocupa? Traduzo minhas próprias questões. Tento perceber dentro de mim o que é excesso e o que não é. Respiro para que entre em mim o universo implícito. Quanto mais quero fazer mais sinto que é o contrário do que deve ser. Deixo que as coisas passem por mim. Meus porquês. Olho o espaço vazio, chego a existir!
Criação, Interpretação e Figurino: Armando Aurich
Assistente de coreografia: Ana Teixeira
Criação Musical: Renato Jimenez
Colaboração Artística: Renato Jimenez
Desenho de luz: Wagner Freire
Duração: 20 min
“206”
INSTALAÇÃO COREOGRÁFICA
O solo “206” tem como referência o mito indígena do pólo norte “A Mulher esqueleto” que trata do ciclo vida – morte – renascimento, a partir da relação entre os gêneros feminino e masculino. – “206” é o número de ossos contido no esqueleto, eleito como síntese para uma reflexão sobre este ciclo.
Direção Geral: Marta Soares
Criador Intérprete: Lilia Shaw
Trilha Sonora: Magda Pucci
Figurino: Claudia Shapira
Desenho de luz: Wagner Freire
Espaço Coreográfico: Marta Soares
Lilia Shaw agradece à Miriam Dascal, Bia Pacheco e Taís Brasil
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