» O Porão
Criado para o Balé da Cidade de São Paulo em 2000- Cia 2
Concepção e coreografia: Luis Arrieta
Direção musical, criação e concepção de improvisos da trilha sonora: Maestro Gil Jardim
Figurinos: Geraldo Lima Junior
Cenário e objetos de cena: Fábrica da Bijari ( Geandre Tomazoni, Giuliano Scandiuzzi, Gustavo Godoy, Rodrigo Araújo)
Desenho de luz: Wagner Freire (Armazém da Luz iluminação Cênica LTDA)
Músicas: (partes) Frank Zappa, Sebastian Piana, John Adams, van Beethoven, J.S.Bach, Bob Ostertag, Oliver Messian
Dançam: Andréa Maia, Armando Aurich, Àurea Ferreira, Beth Risoleu, Lilia Shaw, Maurício Martins, Paulo Goulart Filho-bailarino convidado: Miguel Angel Cragnolini
Tocam: Miguel Briamonte (teclado), André Magalhães (percussão), Teresa Cristina Rodrigues Silva (cello)
Debaixo desta casa presente habita um subsolo eterno.
Espaço de memórias e de raízes.
O tempo me fatiga o vôo
E me lança a um cansaço
Que me lança à terra
Que me abraça e me absorve e me submerge
Azo sobre a grama de um jardim que cai sem fim na noite subconsciente.
Porão, ventre, canto.
Sob o piso, o tapete de dança, a roupa e os sapatos.
Quarto úmido abismado na alma.
Catedral submersa. Cofre enterrado.
É a sesta a manhã ou a tarde. Sempre será porão.
Casa de cegos que revela olhos mais subterrâneos em mim…
Habitam-no ecos de passos e o canto de um pássaro sem vôo.
Velas piedosas povoam-no de sombras, mais escuras e profundas ainda.
Monstros, dores e raivas se arrastem por seu piso e golpeiam seus pilares.
Aqui – sopa de escuridões- gera-se o impulso da vida
Que farejando como um cão Busca a migalha de luz
Que goteja por uma rachadura.
Aqui, eu me encontro e me resgato.
Recobro a vida.
E a quiçá o amor.
Luis Arrieta
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