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CANELA FINA

Criado para o BALÉ DA CIDADE DE SÃO PAULO no outono de 2008

Coreografia e concepção de luz, cenários e figurinos: Cayetano Soto
Assistência de coreografia e ensaios: Laudnei Delgado, Lumena Macedo
Dramaturgia: Nadja Kadel
Música: Michael Gordon, (1956 - ); Weather One (1997), Ensemble Resonanz, conducted by Evan Ziporyn, Nonesuch 79553-2

Canela fina

A composição totalista e pós-minimalista Weather, do músico americano Michael Gordon, prepara um terreno descompromissado para cultivar as forças da natureza, as quais se desenvolvem maciçamente na coreografia Canela fina, de Cayetano Soto.

Os elementos estão fora de ordem; algum poder tomou o controle. Atletas rápidos estão conquistando o palco, mas há algo mais no ar: pequenos gestos e movimentos revelam uma energia que não pode ser explicada racionalmente. Vagarosamente a atmosfera de suspense sensual se transforma em tensão emocional e desespero. O estado emocional de emergência está onipresente tanto no intricado pas-de-deux quanto nas poderosas cenas de conjunto. É evocado pelo ritmo nervoso e repetitivo da música e também por um elemento natural que repetidamente reaparece: canela, não apenas um afrodisíaco, mas também uma forma de poeira, lembrando então a origem e o fim de todas as coisas.

A peça mostra uma interação contínua entre influências externas e a condição interior dos seres humanos, representada pelos movimentos dos bailarinos. No entanto, a canela não deve ser entendida literalmente mas sim no sentido metafórico, como sugerido no título idiomático da peca: Canela fina, que significa “o melhor que se possa imaginar” e refere-se à arte de dançar como a forma de comunicação não-verbal mais elaborada.

Nadja Kadel, dramaturga

 




 



FOTOS Silvia Machado

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