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Criado para o Balé da Cidade de São Paulo em 2005


Coreografia, concepção cênica, figurinos e desenho de luz: Itzik Galili
Assistente de coreografia e ensaiadores: Lumena Macedo e Laudnei Delgado
Trilha sonora original: Grupo
PERCOSSA (Holanda)
Parceria entre O Het Muziektheater Amsterdam, Holland Dance Festival, The Hague e o Theatro Municipal De São Paulo.


Falar sobre meu trabalho me faz sentir vulnerável. É difícil reconstruir o processo criativo de forma objetiva e através dele explicar aonde cheguei. O inegável é a percepção inédita do privilégio de estar fazendo o que faço.

Não vim ao Brasil com qualquer intenção de vivenciar uma “jornada de revelação” e, portanto, não desejo hiperdimensionar a faceta ideológica do coreógrafo ou de meu trabalho. Tento me afastar o mais possível de tipificar ou quantificar. Esta jornada não foi preconcebida, simplesmente aconteceu.

Quando, em São Paulo, diante de tal calor, simplicidade, sensualidade e pura poesia individual, escolhi abandonar as idéias criativas que trazia e me soltar completamente. Impressionado, arrebatou-me intensa força de liberdade artística e ruptura de minha própria individualidade. Foi uma revelação, a consciência percorrendo minhas veias de maneira instintiva. Fui espectador e criador de tudo, acedendo e dizendo “vê o que está acontecendo!” Não quero acreditar que vivo exilado de meu ambiente. Neste caso, no entanto, sinto que assim o fiz e para um paradoxal bom aproveitamento.

Neste encontro poderoso, sinto ter atingido outro nível em mim mesmo, experiência nova e irrevogavelmente ligada à minha criatividade. Estou curioso de como isto afetará o que procuro em meu senso de liberdade artística. Esta experiência se tornou realidade. Estou criando um novo círculo do “eu”, parte integral da realidade interna, que de fato se nutre de momentos como este. A mudança revelar-se-á?

Só o tempo dirá.

O artista se esforça para tornar a criação uma mostra honesta de sua imaginação. A arte verdadeira é uma reflexão da imaginação verdadeira. Pode a imaginação ser abstrata?

Na essência, imaginação e criatividade estão ligadas, emoção e sentimento, que, por sua vez, estão ligadas ao estado humano. Através deste processo, a imaginação cria uma abstração e desenvolve-se nesta jornada que pode influenciar o resultado, o produto apresentado ao mundo, abstrato em estilo. No entanto, se buscarmos a fonte imaginativa, ela terá emanado da realidade que cerca o artista – as influências e o ambiente.

Neste caso minha imaginação não atingiu uma abstração. Em vez disso juntei ambos como entidades separadas. Minha imaginação são as pessoas, os dançarinos. A abstração foi transferida à iluminação. Eu convido minha imaginação e abstração a um encontro às cegas. Juntos, eles tocam com a trilha musical de percussionistas holandeses Percossa. Ela apresenta um lindo contraste e seu encantamento mútuo é uma experiência maravilhosa. Holanda encontra Brasil que encontra Galili. Não há cerejas aqui, foi uma questão de tornar sexy a papaia.

(Itzik Galil / junho de 2005)

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©2005. Balé da Cidade de São Paulo. Criação Coffee Studio.